Doutrina Espírita

O “ENTREVIDAS” (Jerri Roberto Almeida)

Com o crescente aumento de pessoas que buscam o espiritismo, é natural a disseminação dos conteúdos envolvendo a realidade humana em sua dimensão de espírito imortal e pluriexistencial. Da mesma forma, as valiosas elucidações espíritas sobre os conflitos existenciais e pessoais, tem oferecido estímulos a uma releitura da vida em seus múltiplos aspectos. Queremos afirmar, portanto, que o espiritismo tem contribuído de forma muito profícua para acelerar debates e investigações no mundo científico convencional.

No final de outubro (2003) cientistas e religiosos se reuniram em Brasília em um congresso promovido pela LBV, para discutir a Morte e a Vida após Ela. Em congresso realizado na Holanda em junho de 2003, reuniram-se 230 representantes de associações e institutos de terapia regressiva, de várias partes do mundo. A psicóloga americana Linda Bacman que propôs o tema central desse congresso, dedica-se a pesquisar, através da terapia regressiva, o entrevidas, ou a vivência espiritual de seus pacientes no intervalo em que estiveram entre uma reencarnação e outra. Já a terapeuta carioca Célia Resende, assevera que a vida e a morte, tanto quanto o entrevidas, fazem parte de uma consciência global: “A vida atual, as passadas e o entrevidas são apenas etapas de experiências da consciência, alma ou espírito.” Segundo o relato de seus pacientes, no entrevidas: “há locais de natureza exuberante e prédios com equipamentos médicos e de comunicação altamente sofisticados. (…) As cidades espirituais possuem estações de transição e hospitais para acolhimento dos que chegam, situadas sobre diversas regiões do planeta”, assevera.

A revista destaca ainda que: “A descrição do entrevidas mostra que também, e principalmente, as decisões de aperfeiçoar as relações conflituosas são tomadas nesse período.” Conforme a psiquiatra paulista Maria Teodora Ribeiro, com pós-graduação em análise transacional pela Universidade de Berkeley (EUA), “é comum os pacientes se verem programando a próxima volta à Terra. Aí a pessoa entende por que pediu para voltar naquele contexto.”

Segundo os vários relatos apresentados na reportagem, destacamos o de Nicole Lerch, 45 anos, criada no protestantismo. “Ela sofria de uma tendinite crônica que a impedia de tocar violino. Em 1997, se mudou para o Rio de Janeiro, entrou na Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas passou um ano sem trabalhar e só se livrou da tendinite com a terapia (regressiva). Ela se viu como um lenhador que teve o braço esquerdo amputado depois de um grave ferimento.” Vivenciando um desdobramento espiritual, “…encontrei Ivan, um grande amigo daquela vida. Ele me mostrou que meu braço estava inteiro. Eu tinha sido atingida apenas no físico e não no espírito.”

Estamos, inexoravelmente, diante de um “desvelar” da realidade espiritual do homem. Allan Kardec, no Capitulo 1 de A Gênese, se reporta ao caráter da revelação espírita, asseverando que: “Toda revelação desmentida por fatos deixa de o ser…”. O que observamos, no entanto, é que a revelação espírita, ao contrário de ser “desmentida” está, cada vez mais, sendo comprovada. Na verdade, o caráter de universalidade dos ensinos espíritas tornar-se-ão conhecidos como princípios ou leis absolutamente naturais e, portanto, integrados ao contexto da vida. As demais áreas do conhecimento humano, integradas num todo harmônico, marcharam para o entendimento da universo humano numa dimensão multidimensional e multidisciplinar.

É, ainda, Kardec que nos adverte: “O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra.” Será, pelo que tudo indica, no contexto desse século XXI, que a ciência acadêmica ortodoxa/conservadora se verá diante das evidências plausíveis do espírito e da reencarnação.

Vale destacarmos a posição do professor Waldyr Rodrigues, professor da Unicamp, matemático e doutor em física pela Universidade de Torino, na Itália, entrevistado por Isto é: “O professor lembra, no entanto, que as verdades científicas são às vezes efêmeras – o que é absolutamente certo hoje pode deixar de ser amanhã. Muitas teorias são aceitas sem uma rigorosa avaliação só por virem de profissionais de prestígio. ‘Ouvimos recentemente a tese de que o universo seria finito e teria a forma de dodecaedro. A topologia do universo é também uma coisa que não se pode provar, apenas deduzir. Por isso, erra quem diz que só acredita no que a ciência pode mostrar’.”

Portanto, a posição defendida por alguns de que o espírito e a reencarnação não seriam verdades pelo fato da “ciência não poder mostrar”, cai por terra. Conforme o professor Waldyr se refere, há muitas teorias ou verdades científicas que são meras deduções e são aceitas nos meios acadêmicos. O que nos faz pensar que, em verdade, o que existe é, ainda, uma postura de preconceito por parte de alguns “cientistas” com relação ao objeto investigativo do Espírito.

(A revista “Isto é” de 12 de novembro de 2003 (n º1780) traz em sua reportagem de capa o tema: “Além da vida” – pacientes de terapia de vivências passadas contam suas experiências no período “entrevidas”, entre uma reencarnação e outra.)

Fonte: Blog Diálogos Filosóficos – Jerri Almeida http://jerrialmeida.blogspot.com/2009/12/o-entrevidas.html

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